Bonecos Reborn: A arte imita a vida

Bonecos Reborn: A arte imita a vida

Os bonecos reborn têm se tornado uma febre para todas as idades. Eles são imitações hiper-realistas de bebês, um trabalho levado a sério nos mínimos detalhes: textura da pele, fios de cabelo, olhos, cílios etc. O termo reborn vem do Inglês e significa “renascido”, fundamentando a ideia de que bebês humanos reais podem ser recriados por meios artificiais. Em geral, os preços variam entre mil e 3 mil reais, mas há registros de bebês reborn que custaram até 12 mil reais.

O que justifica esse preço? Além das técnicas extremamente delicadas e sofisticadas para confecção dos bonecos, muitos deles vêm com mamadeiras, cadeiras de balanço, roupinhas, chupetas e outros acessórios que os encarecem. Eles podem ser feitos sob demanda, de modo que o cliente tem a possibilidade de solicitar esses itens complementares. A ideia é tornar essa experiência artificial de maternidade o mais real possível.

Fenômeno

A popularização dos bebês reborn se dá em escala mundial. No Facebook, as páginas destinadas à divulgação dos bonecos chegam a quase meio milhão de seguidores em países como México, Reino Unido e Canadá. No Brasil, são 1,3 milhão de pessoas que seguem páginas com essa temática.

Quando se fala em bonecas, o público-alvo que geralmente passa pela mente são crianças. As bonecas reborn, no entanto, também atraem o interesse de adultos, sejam mulheres ou homens (sim, eles também adquirem os bonecos, embora sejam minoria). Há mães, por exemplo, que encomendam bebês reborn extremamente parecidos com os filhos para preservar recordações da infância. Outras preferem não ter filhos biológicos, ou defendem que ainda não chegou a hora, e adquirem os bebês reborn como “treinamento”.

Redes Sociais

A Internet tornou-se o principal meio de comercialização dos bebês reborn, seja por meio de websites ou em redes sociais. No Facebook e no YouTube, em especial, são formados grupos de “mães reborn” para divulgar lançamentos e trocar informações. Muitas vezes, são postados fotos e vídeos em que as “mães” trocam fraldas, levam os bebês para a escola, passeiam e os colocam para dormir, tudo para ilustrar uma rotina simulada, como se fossem mães de verdade.

São poucos os clientes que se satisfazem com um boneco só. Segundo artesãos, a maioria acaba dando início a verdadeiras coleções de bebês reborn e, inclusive, criam quartos só para eles, investindo muito dinheiro nesse hobby.

Fabricação

Por serem extremamente semelhantes com a realidade, o processo de fabricação dos bebês reborn em nada se parece com a produção de bonecos comuns. Para começar, eles são feitos por artesãos, denominados cegonhas. As cegonhas importam as partes do corpo, geralmente de silicone, e utilizam tintas especiais para aplicar a tonalidade desejada à pele do bebê, incluindo manchas e dobrinhas realistas. Também são aplicados olhos, unhas, cabelos, cílios e sobrancelhas, além dos acessórios que acompanham os bonecos. Os bebês reborn costumam pesar entre 2 e 3 quilos.

Dividindo Opiniões

Gastos consideráveis com bebês que não são reais, simulações de realidade e horas e horas gastas com bonecos acabam gerando polêmica por parte de familiares, amigos e especialistas, seja porque os clientes não optam por ajudar crianças carentes, seja porque não decidem ter filhos adotivos ou biológicos. Algumas “mães” recebem apoio de seus parceiros, mas há outras que alegam receber olhares de desaprovação, tendo seus comportamentos julgados como estranhos.

Há psicólogos que defendem que não há nada de errado com adultos que brincam com os bonecos. Alegam que essa espécie de extensão da infância pode estimular noções de maternidade/paternidade, aflorando o desejo de cuidar do outro.

Entretanto, outra parcela de especialistas acredita que essa humanização de objetos é prejudicial por construir relações vazias. Eles afirmam que, com o tempo, o real e o imaginário podem se confundir e as pessoas passam a acreditar na fantasia que criaram, gerando um transtorno psicológico. Também defendem que quando adultos usam bonecos para evitar a realidade de não terem filhos, estão apenas se iludindo e adiando o inevitável momento de enfrentar os fatos.

Tudo é uma questão de identificar até que ponto essa admiração pela arte é divertida e quando se torna um hábito nocivo.

 

 

 

Allison Diogo

Futuro Administrador e produtor de conteúdo para o Youtube e afins.

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