Capacitação, tecnologia e inovação podem vencer o etarismo na área de vendas

Por Enio Klein, CEO da K&G Sistemas, professor nas disciplinas de Vendas e Marketing da Business School São Paulo e Coach pessoal e profissional formado pela International Association of Coaching – IAC/SLAC

                                                                                                      

Já empreendo há muito tempo e nunca sofri, pelo menos de forma explícita, qualquer restrição de trabalho motivada por idade. Contudo, o etarismo ou discriminação por idade, é uma doença social devastadora, principalmente em países como o nosso, onde a população começa a envelhecer em uma proporção significativa.

 

 

 Não podemos nos dar ao luxo de jogar fora experiência adquirida. É um capital importante, valioso, e que estamos desperdiçando por falta de cuidado e visão. Mas para utilizar este capital é preciso manter estes profissionais no mercado, não os expulsar. Lugar de experiência e competência é produzindo, inovando e gerando renda, e não em atividades lúdicas para a terceira idade, como é mais comum o assunto ser tratado por governos e pela própria sociedade. 

 

 

Há alguns dias, completei sessenta anos, e dentre as centenas de posts com felicitações que recebi, não foram poucos os que mencionavam o fato de não parecer ter esta idade. Ao invés de me sentir lisonjeado, me dei conta de que tem algo errado, e que nós, profissionais que estamos no mercado, precisamos fazer alguma coisa em relação a este assunto. O que é, afinal, parecer ter uma idade específica, principalmente em relação a nossa atividade profissional?

 

Após anos ensinando em cursos de pós-graduação, lidando com dezenas de alunos, em sua maioria mais novos do que eu, concluí que aparentar ter determinada idade está relacionada à linguagem que você usa na comunicação com as pessoas e com a forma que usa para resolver questões e desafios do dia a dia profissional. E isto tem tudo a ver com inovação. Inovar não é inventar, mas utilizar o seu conhecimento e sua experiência em situações novas e de uma forma que não eram utilizados antes. E quem tem a experiência necessária para isto?

 

A tecnologia é catalisadora da inovação, e faz parte da vida de todo mundo. Os negócios não andam mais sem o uso da tecnologia. Das redes sociais à Internet das Coisas, os processos passam, em algum momento, pelo uso de aplicativos, internet, big data, marketing digital, entre outras plataformas movidas pela tecnologia. Entretanto, é necessário reconhecer o papel da experiência obtida no dia a dia, no campo. Mais importante ainda é aceitar que inovação não é possível e não tem escala sem que esta experiência seja aproveitada. 

Na área de vendas, há profissionais competentes, com experiência, mas que vão sendo substituídos com mais frequência por pessoal mais jovem. Isto acontece por duas razões que se complementam de uma maneira perversa: como tudo é cada vez mais tecnológico, acredita-se que o jovem já nasce com a tecnologia e, por isso, é muito mais fácil a integração com novos métodos e novas plataformas. A experiência, por seu lado, parece ser resistente às mudanças e ao aprendizado. Ao invés de libertar a experiência, prende os profissionais a uma determinada época, e isto é péssimo. O segredo está em mesclar estas equipes em torno de metodologias e processos inovadores que tragam as mudanças necessárias ao mercado.

 

Segundo o amigo Ricardo Pessoa, da Egrégora Inteligência, ”a crise econômica pela qual o Brasil passa encobre o apagão de capacidade técnica e diminui a percepção da escassez de profissionais qualificados”.  Em pesquisa realizada pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico –  o Brasil apresenta um dos mais altos índices de escassez de profissionais qualificados dentre os 29 países pesquisados, com 63% das empresas relatando dificuldade para preencher adequadamente suas vagas.

 

O desafio não é simples e precisa ser tratado de uma forma estruturada. O uso da tecnologia e a capacitação constante são os melhores recursos para não só combater o etarismo, mas principalmente capitalizar a experiência profissional em benefício das organizações e das pessoas, ao mesmo tempo que preserva empregos e retorna às empresas resultados tangíveis. É preciso que todos entendam, contudo, que não precisamos de leis para que estas coisas sejam feitas. Isto não é um problema do estado, é uma questão que a sociedade precisa enxergar e encaminhar. Em última instância, nós, profissionais, é que precisamos agir. E rápido.

Allison Diogo

Futuro Administrador e produtor de conteúdo para o Youtube e afins.

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