Como lidar com a dependência exagerada do seu filho?

Por Dr. Carlo Crivellaro, Pediatra com Título de Especialista em
Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria; Membro da Sociedade
Brasileira de Pediatria; e Membro da Highway to Health International
Healthcare Community

Cada vez mais, aumenta o número de mulheres no mercado de trabalho. E
não é só no Brasil. Em diversos lugares, mais da metade das mulheres
trabalham fora, pelos mais variados motivos, principalmente por
necessidade financeira. Com isso, muitas mulheres com bebês e crianças
pequenas precisam tomar uma difícil decisão: com quem deixar os
filhos?

Algumas preferem deixar com os avós, outras com babás, e há quem opte
pela escola infantil. E é nessa fase que se inicia o “desgrude” da
criança, o que nem sempre é fácil. Para o filho, a mãe representa
nutrição, proteção, conforto, amor e carinho. Portanto, neste período
de “afastamento”, é normal a criança sentir falta da mãe, ter medo e
chorar.

Crianças criadas com excesso de zelo podem ter ainda mais dificuldade
de se adaptarem com a ausência da mãe. Vale dizer que excesso de zelo
é quando a mãe dá tudo o que o filho quer, tem dificuldade de dizer
“não” e de impor limites à criança. O carinho e a atenção dos pais são
fundamentais, mas a falta de limites torna a criança mimada, insegura
e irresponsável. Os filhos precisam entender, desde a infância, até
aonde podem ir, e que as cobranças fazem parte da vida.

É na fase pré-escolar (2 a 6 anos) que a criança começa a explorar
mais o mundo, e sente curiosidade em descobrir coisas novas, o que faz
com que ela possa assumir riscos. Esses riscos devem ser
supervisionados, mas permitidos, desde que não envolva situação de
risco real. Isso é importante para que a criança tenha iniciativa e
independência. Se cada vez que ela ouvir “deixa que eu faço”, “você
não vai conseguir fazer sozinho”, “você é pequeno demais”; sua
capacidade de evoluir e de ter interesse por novas descobertas será
totalmente inibida.

Com o tempo, isso pode levar a criança a ser mais tímida, mais medrosa
e achar que as coisas só darão certo se a mãe estiver por perto.
Muitas vezes, a mãe não percebe essa dependência que ela mesma criou.
A criança também não tem a percepção de que está muito dependente.
Pelo contrário. Ela não tem desafios e obstáculos, o que torna sua
vida uma zona de conforto. Essa é a hora de fazer uma reflexão: será
que o excesso de proteção não está prejudicando o amadurecimento e a
independência da criança? Sim, está, e esta forma de educar trará
consequências frustrantes em sua vida adulta, tanto na questão pessoal
como profissional. Obviamente, os primeiros passos para cortar essa
dependência exacerbada devem ser dados pelos adultos.

Para que essa transição seja a mais tranquila possível, a mãe pode ir
preparando a criança desde cedo, mostrando que outras pessoas também
são capazes de cuidar dela. Deixe-a mais tempo com os avós ou com os
padrinhos, e aproveite para passear um pouco, se cuidar, sair com os
amigos e até ter um momento a sós com o marido. Com o tempo, a criança
vai perceber que a mãe se ausenta, mas volta, e será benéfico para
todos. Ao sair, sempre se despeça e explique que vai voltar. Se você
for embora sem falar com seu filho, ele não entenderá, e isso pode
gerar insegurança e perda de confiança.

Mesmo que seja um bebê, converse com ele. Diga que precisa ir
trabalhar ou fazer alguma coisa na rua, mas que irá retornar. Quando
deixar a criança na escola ou com outra pessoa, não demonstre tristeza
ou angústia. Qualquer sentimento que você tiver, irá transmitir ao seu
filho. Portanto, seja firme. Diga que o ama, que ele ficará bem e que
mais tarde irá buscá-lo.

Uma dica importante para estimular a independência da criança é fazer
com que ela valorize o seu próprio espaço. Deixe claro que ela tem a
SUA cama, o SEU quarto e os SEUS objetos. Concessões podem ser feitas,
como dormir uma noite ou outra com os pais. Mas é fundamental que ela
já comece a ter noções de discernimento, e entenda que certas coisas
não podem ser feitas sempre que ela tiver vontade.

Outra boa dica é incentivar a realização de tarefas que ela já possa
fazer sozinha, como escovar os dentes, se vestir e tomar banho. Peça
ajuda em funções que sejam apropriadas à idade dela, seja arrumando a
mesa, guardando os brinquedos, regando as plantas, dando comida ao
cachorro, entre outras. Isso ajudará no seu desenvolvimento. A criança
muita ociosa tende a demandar mais a atenção dos pais, além de se
tornar preguiçosa.

Se ela estiver com medo de realizar alguma tarefa, primeiro entenda a
razão deste medo e a encoraje a enfrentar a situação. É importante que
a criança já saiba que virão outros medos pela frente, ao longo da
vida, mas que ela esteja preparada para encará-los e tentar superar.

Em suma, qualquer excesso não é saudável, tanto a falta de zelo como o
excesso dele. Lembre-se: se você estimular a independência de seu
filho, estará fazendo dele um adulto seguro, responsável e capaz de
resolver seus próprios problemas com maturidade e clareza.

Allison Diogo

Futuro Administrador e produtor de conteúdo para o Youtube e afins.

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