Estrelas Além do Tempo: Uma adaptação para se inspirar

Baseado no livro homônimo, “Estrelas Além do Tempo” (Hidden Figures) narra a historia, verídica, de Katherine (Taraji P. Henson) , Dorothy (Octavia Spencer) e Mary (Janelle Monáe), mulheres negras que trabalham na NASA fornecendo informações cruciais para as primeiras missões espaciais.

A história se passa em 1961, em plena Guerra Fria e inicio da corrida espacial. Em paralelo, a sociedade norte-americana lida com a cisão racial entre brancos e negros. O trio, além de ter que provar sua competência, precisa lidar com o preconceito institucional para que consigam progredir profissionalmente na NASA.

A tensão racial é sentida logo na primeira cena e está presente ao longo do filme, seja em alívios cômicos ou em situações de confronto. Esse, aliás, é um dos grandes trunfos do diretor Theodore Melfi que, sendo esse seu 2º longa, conseguiu tratar um assunto tão polemico sem fazer uso da sátira ou do melodrama. Ou seja, apesar de pequenas oscilações, no geral a história, por si só é capaz de ilustrar e narrar a luta que essas mulheres viveram.

Para os fãs de Apollo 13 e outras produções sobre a corrida espacial, o filme é um prato cheio. O espectador é levado aos escritórios da NASA nos primeiros dias da exploração do espaço e é possível ver os riscos e as situações as quais os cientistas e astronautas tinham que lidar.

O elenco apresenta uma performance coerente, com destaque às protagonistas, principalmente Octavia Spencer e Taraji P. Henson, e aos coadjuvantes Kevin Costner (Al Harisson) e Jim Parsons ( Paul Stafford). Parsons surpreende no papel de antagonista e consegue sair da sombra de Sheldon Cooper, mesmo interpretando o papel de um cientista.

No que diz respeito a técnica, destaco: a edição que consegue manter o ritmo da narrativa; a fotografia que é peça fundamental na construção da tensão entre as personagens e a trilha sonora, de Hans Zimmer que, felizmente, não se pareceu com as trilhas compostas para os longas de Christopher Nolan. Talvez seja pela participação do cantor Pharrell Williams.

Talvez o único porém, lembro aqui que se trata de opinião pessoal, foi a utilização de imagens de arquivo da NASA mescladas com novas composições nas sequências envolvendo as espaçonaves. Há nítida diferença de qualidade. O fato é que a decisão funciona para atestar a veracidade da história, mas pode desconectar o espectador ao fazer lembrar de que ele se encontra em uma sala de cinema.

“Estrelas Além do Tempo” vem liderando as bilheterias nos Estados Unidos, foi indicado a 2 Globos de Ouro e estréia no Brasil no dia 2 de Fevereiro.

Por Pedro Henriques

Sam Matos

Sou designer, CEO da Agência Aldeia Thisam, estudante de arquitetura na maior parte do dia e escritor quando dá!

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