Jogos Mortais: Jigsaw – A Peça que não Faltava

É normal que com o tempo, a maior parte das franquias cinematográficas não consigam mais passar tanta empolgação ou que surpreendam mais o espectador devido ao seu desgaste e falta de novidades, entre outros aspectos. Alguns exemplos como Pânico (1996), Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997)Premonição (2000) estão aí para não deixar dúvidas. E com Jogos Mortais (2004) não é diferente.

Em sua série de filmes até então fechada na sétima película (Saw 3D – 2010), é perceptível a queda em relação a roteiros, atuações, fotografia, etc. Mas, ainda havia uma trama intrigante por trás desses defeitos, além da curiosidade do público em querer saber quais eram os novos jogos propostos tanto por Jigsaw, quanto de seus seguidores às pessoas das quais eles tinham motivações ou achavam propício julgar.

Mas no recente filme intitulado de Jogos Mortais: Jigsaw a situação infelizmente piorou. Após quase 7 anos sem notícias de uma nova produção, eis que foi anunciado para o final de 2017 mais uma história abordando o doentio jogo, que aguçou a curiosidade principalmente dos fãs da série sobre o que mais podia ser aproveitado da trama, uma vez que a história gira em torno de John Kramer (Tobin Bell), que morreu no terceiro filme, mas ainda continuaram revirando seu túmulo em busca de mais.

E com isso, ao ficarem batendo na mesma tecla, esse novo filme se tornou somente uma reciclagem do que já vimos nas produções anteriores só que de forma mal executada. A história nos passa a sensação de déjà vu, como se fossem fragmentos retirados dos outros filmes para montar um Frankenstein cheio de clichés. Assim, nos primeiros minutos a experiência de querer descobrir o que realmente está acontecendo e quem está por trás das armadilhas do novo jogo vai por água abaixo, justamente pela sensação de já ter visto tudo aquilo no passado e assim, conseguir desvendar fácil demais os mistérios que rodeiam a trama.

O enredo se desenvolve intercalando entre o jogo em um local fechado e as investigações de determinados assassinatos em um ambiente externo. O jogo conta com cinco pessoas escolhidas por terem cometido algum erro durante suas vidas, e por isso são enclausuradas em um local tendo de passarem por provas para sobreviverem (nada que já não conhecemos). Enquanto do lado de fora, os detetives Halloran (Callum Keith Rennie – Warcraft) e Keith Hunt (Clé Bennett – Zoom) investigam sobre corpos que estão sendo encontrados em locais diferentes da cidade. Eles contam com a ajuda do legista Logan Nelson (Matt Passmore – O Filho do Máskara) e sua assistente Anna (Laura Vandervoort – Supergirl), onde as evidências encontradas apontam para um único suspeito: John Kramer, morto a mais de uma década.

O elenco sinceramente não ajuda. As atuações forçadas de atores não tão conhecidos fazem parecer que Jogos Mortais se tornou uma “novela gore”. E falando nisso, um dos aspectos mais marcantes de toda a franquia que são as mortes impactantes ocorridas por meio de armadilhas e decisões a serem tomadas pelos jogadores, acabou ficando em segundo plano nessa obra, com um número bem menor de pessoas mortas e sem tantos detalhes ou exposição de como elas acontecem, parecendo aquele thriller policial manjado de Supercine. E para completar, o plot twist é um fator inicialmente confuso e que aos poucos vai se explicando, mas que mesmo assim não se faz convincente, simplesmente revelando o que já era previsível desde o início.

Enfim, Jogos Mortais: Jigsaw só vem para nos mostrar uma franquia sem fôlego, que já não tem mais pontas soltas a serem amarradas e somente uma repetição da fórmula já utilizada e saturada que um dia foi inovadora, depois divertida e agora obsoleta, como um quebra-cabeça já finalizado.

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