A Múmia – Um sarcófago pronto para enterrar o Dark Universe

Já é sabido que atualmente o cinema vem apostando cada vez mais na fórmula dos universos compartilhados, ou expandidos como muitos preferem chamar. Temos a Disney desfrutando disso por meio dos heróis da Marvel que basicamente foi quem iniciou essa ideia. Ela também vem aproveitando bem a franquia Star Wars, fazendo até spin offs com a criação de George Lucas. A Warner, mesmo com seus tropeços, vem aos poucos apresentando o universo da DC Comics. E a Universal para não ficar de fora, criou o seu “Dark Universe”, já que é a detentora dos direitos dos monstros mais famosos da cultura pop, e que tem a intenção de trazer reboots dos clássicos da década de 30 como o Drácula com Bela Lugosi ou Frankenstein com Boris Karloff, além de Lobisomem, A Múmia, Homem Invisível, entre outros.

E não é de hoje que a Universal vem tentando trazer esses monstros para o cinema. Quem aqui não se lembra de todas essas criaturas sendo caçadas pelo Van Helsing interpretado por Hugh Jackman em 2004? E o remake de Lobisomem de 2010 ou o Drácula – A História Nunca Contada de 2014? Foram filmes até interessantes, mas que não trouxeram um bom retorno para o estúdio fazendo com que suas continuações não vissem a luz do dia.

Sendo assim, para estrear esse universo sombrio, como mais uma tentativa de juntar nossos queridos monstros novamente nas telonas, foi escolhido A Múmia que, conta com um elenco que em determinados momentos não se encaixa com a trama, um enredo corrido, e que ao contrário do horror do filme de 1932, traz uma atmosfera mais cômica, em um filme de ação e aventura recheado de cenas de destruição megalomaníacas.

A muitos mil anos atrás

Ahmanet (Sofia Boutella – Kingsman / Star Trek Beyond), seria a herdeira do império no Egito antigo, mas ao ganhar um novo irmão, seu sonho de ser a nova rainha é arruinado e por isso, ela faz um pacto entregando sua alma às trevas, cometendo atrocidades, e como punição, ela é mumificada viva.

Já nos dias atuais, o soldado fanfarrão Nick Morton (Tom Cruise – Missão Impossível / Jack Reacher) e seu amigo Chris Vail (Jake Johnson Vizinhos / Jusrassic World), aproveitam de suas missões para roubarem antiguidades, repassando ao mercado negro para fazerem uma grana extra. Junto da arqueóloga Jenny (Annabelle Wallis – Rei Arthur – A lenda da Espada / Annabelle), eles descobrem o sarcófago de Ahmanet, e daqui para frente, é fácil saber o que estar por vir.

Muito mais aventura do que terror

A Múmia tem um objetivo óbvio que é o de angariar um grande público promovendo a diversão. Com isso, o que originalmente em 1932 se tratava de um filme de terror, se tornou uma aventura com ação desenfreada, com grandes explosões no deserto, avião se despedaçando no ar e caindo em direção a uma cidade, tempestades de areia tomando Londres inteira, além de múmias-zumbis correndo atrás dos protagonistas. Junto de tudo isso, temos uma tentativa falha de comédia onde o filme de 1999 é muito mais válido e mais engraçado do que o atual.

Personagens mais rasos que um sarcófago

Toda história do filme se desenrola única e exclusivamente pela ganância de Nick Morton. Por ser um canastrão de marca maior e roubando um mapa ao levar Jenny para a cama, eles descobrem o tal sarcófago e tudo começa a partir daí. Mas é difícil conciliar o Cruise esperto/sedutor/engraçadinho que no decorrer do filme tenta se tornar um personagem mais profundo, só que até lá, já é tarde demais para ele ser levado a sério. Seu amigo Chris Vail, é o alívio cômico que não evolui. De início se mostra o cara engraçado e que depois, junto de Nick, cai em uma constante de piadas sem graça e se torna o mais do mesmo.

Já a sempre maquiada e penteada Jenny se apresenta como uma personagem forte e determinada, mas que infelizmente, se torna somente o interesse romântico para o protagonista cafajeste e a figura feminina que está sempre em perigo, enquanto Ahmanet mesmo que seja uma vilã com objetivo simples, pelo menos traz um visual muito bem feito, mesmo que lembre certas características de filmes anteriores, mas com uma ótima atuação de Sofia Boutella.

Depois de Tom Cruise, outro nome de peso para o filme é o ator Russel Crowe, que funciona como o “Nick Fury” desse universo, que irá fazer a ligação com os outros filmes da possível franquia. Ele interpreta o Dr. Henry Jekyll junto de seu alter ego Edward Hyde, deixando clara a referência ao “Médico e o Monstro”, e que possui ainda uma empresa chamada Prodigium que tem como objetivo caçar, capturar, pesquisar e extinguir as criaturas desse universo sombrio. Mesmo estando ali para dar explicações rápidas sobre o tal universo, de forma jogada e sem sentido, sabemos a importância de sua existência, já que durante todo o filme é o único elo presente para juntar todas as criaturas.

Considerações

Mesmo com tantos elementos que deixam a desejar, A Múmia ainda consegue nos entregar um filme de aventura honesto, digno de quando “Sessão da Tarde” era boa. Tem seus efeitos bem produzidos, boas cenas de ação e fazendo dos clichés, a arma para captar um público geral que quer simplesmente ligar o setor da diversão em sua cabeça e esquecer de seus problemas.

Mas ao pensar no projeto como um todo, A Múmia foi praticamente um desastre que pode definir o futuro da franquia.  Acredito que muitos gostariam de ver o restante desse universo tomar forma, mas também acredito que para que isso aconteça, é de total importância a Universal entender os erros cometidos, melhorá-los o máximo que puder, e já aplicar tais correções no filme da próxima criatura, seja ela qual for ou senão, todo o Dark Universe vai ser mumificado junto com Ahmanet.

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