Neve Negra – Mas que se desbota no decorrer do filme

O diretor argentino Martin Hodara traz para nós brasileiros agora em junho seu mais novo filme: Neve Negra. Uma mistura de gêneros, com um tema pesado, enredo óbvio, mas com uma reviravolta intrigante ao final.

Do que se trata?

Neve Negra tem como parte principal de sua história, um drama familiar que começa com uma tragédia ocorrida a bastante tempo, onde para a contextualizar o expectador com o longa, ele se divide em duas linhas temporais. A primeira onde são mostrados aos poucos, flashbacks que como um quebra cabeça, monta a história de um passado que aos poucos vai sendo explicado melhor e dando embasamento para o que sobrou dessa família no futuro.

A segunda, mostra os dias atuais, onde Marcos (Leonardo Sbaraglia), um dos integrantes dessa família, se vê obrigado a voltar ao seu antigo lar, junto de sua esposa Laura (Laia Costa), para resolver partes burocráticas sobre a morte de seu pai. Uma dessas partes, se trata de uma empresa canadense que tem interesse em comprar as terras deixadas pelo patriarca em um valor acima da casa dos milhões, mas para isso, terá de negociar com o restante de sua família.

Sua irmã Sabrina (Dolores Fonzi), não oferece riscos para a venda dessas terras, já que não tem sua saúde mental muito boa, e suas condições a obrigam permanecer internada. Mas seu outro irmão, Salvador (Ricardo Darin), é o grande problema para resolver essa situação, já que ele viveu sozinho nessas terras desde que seu pai e seus irmãos foram embora, deixando-o totalmente sozinho, e que não tem pretensão alguma de sair de sua cabana isolada em meio a neve que considera seu lar.

De mão beijada

Hodara apresenta um roteiro simples e de certa forma bem superficial, com basicamente três personagens na maior parte do filme e o desenrolar de suas histórias, sejam no passado ou no presente. Isso pode desagradar uma boa parte do público já que, por essa simplicidade, a história que está ali sendo contada vai se entregando de forma rápida, fazendo com que antes da metade do filme, assistindo com atenção, todo o resto do enredo é decifrado deixando tudo muito previsível. Até mesmo a reviravolta que temos ao final, por mais chocante e executada de uma forma diferente que normalmente vemos em filmes nesse estilo, se torna esperada e que em algum momento ela terá que acontecer.

Congelando até os olhos

O filme se passa o tempo inteiro em meio a neve e isso é incrivelmente bem executado. Ele mexe tanto com o nosso psicológico dentro do cinema, que até bate aquela vontade de vestir uma blusa por causa do frio constante apresentado no longa. O tempo todo temos uma coloração azulada remetendo a esse frio, com personagens sempre com muito, mas muito agasalho, até mesmo em ambientes fechados! A trilha também colabora, com músicas melancólicas ou até mesmo em meio ao silêncio, ouvimos sons de ventania e tempestades que parecem soprar bem perto de nossos ouvidos.

Considerações

Neve Negra é um drama familiar que passeia pelo suspense chegando a quase um thriller, mas nos entrega uma história comum apesar de ter uma premissa e proposta de tema interessante e pesado. Tem seus pontos fortes no elenco, na ambientação e sua reviravolta ao final, mas que infelizmente acaba pecando ao facilitar a dedução da história cedo demais, tornando assim, determinados momentos arrastados e monótonos por já sabermos a direção que a neve vai tomar.

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