Rei Arthur –  A Lenda da Espada: fazendo do conto clássico, um blockbuster magnífico

A lenda reinventada

Ao contrário do que conhecemos das histórias de Rei Arthur, adaptadas de formas clássicas em filmes como “Os Cavaleiros da Távola Redonda” de 1953, “Excalibur” de 1980 até “Arthur e Merlin” de 2015, entre vários outros, o diferenciado diretor Guy Ritchie (Snatch – Porcos e Diamantes / Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes) nos traz um enredo interessante de um Arthur (Charlie Hunnam) criado por prostitutas em um bordel, que cresce e é treinado em meio a lutadores e chega a ser um canastrão bem-sucedido no controle da periferia de Londonium junto de sua gangue. Seu momento crucial é quando descobre ser detentor do sangue real capaz de retirar a famosa Excalibur cravada em uma pedra.

 Um divertido épico bem executado

A Lenda da Espada” já nos traz uma sequência inicial mostrando que veio com tudo no quesito fantasia. Uma batalha entre soldados da realeza contra uma horda comandada por um mago está para ser travada. Criaturas gigantescas com a aparência de elefantes circulam em meio a Camelot. Uther Pendagron (Eric Bana), pai de Arthur, empunha a Excalibur e já nos apresenta todo o poder que ela pode oferecer através de efeitos visuais muito bem feitos. Com isso, o filme gera uma certa adrenalina e empolgação para continuar em frente da tela e poder degustar mais daquilo que está sendo oferecido.

Para quem conhece os filmes de Guy Ritchie, já está familiarizado com suas sequências de diálogos frenéticos, em meio a cortes rápidos, além de seu humor sarcástico e lutas em slow motion, certo? Nesse longa, mesmo com uma direção voltada para algo mais épico e fantasioso, ele contém todos esses elementos em pequenas doses como pode conferir no início do trailer abaixo, e que faz com que o filme não fique cansativo, de forma que nos prenda e também nos divirta.

 Elenco que cativa

Os personagens que compõem a obra são muito bem representados por um elenco que esbanja carisma. Charlie Hunnam (Sons of Anarchy / Pacific Rim), mesmo que ainda traga resquícios do famoso motoqueiro Jax Teller, cumpre muito bem o papel de um Arthur mais malandro, mas que evolui muito bem durante o filme na tentativa de descobrir sua missão e enfrentar seus medos. Djimon Hounsou (Diamante de Sangue / Guardiões das Galáxias), além de braço direito de Uther, se mostra como um tutor de Arthur, guiando-o para que consiga encontrar o seu caminho. Mesmo sem a presença do grande Merlin, Arthur conta com a ajuda da poderosa Guinevere (Àstrid Bergés-Frisbey I Origins / Alaska) que tem o poder de manipular os animais e gera cenas fantásticas por causa disso. Além de outros personagens que complementam muito bem toda essa trupe do Rei Arthur.

Logicamente não podemos deixar de falar de Jude Law, que interpreta Vortigern. Sua atuação consegue fazer com que tomemos nojo do personagem onde, pela sede por poder, age totalmente por impulso sem pensar nas consequências, e que assim acaba destruindo sua própria família. O que nos deixa cada vez mais na torcida para que ele seja derrotado, cumprindo de forma satisfatória seu papel de vilão.

 Ambiente mais sóbrio

A atmosfera de A Lenda da Espada é bem diferente do que já estamos acostumados a ver em outros contos do Rei Arthur.

O longa está situado em uma idade média bem mais sombria do que em outras releituras, com uma Camelot que parece mais fazer parte das regiões malignas de “O Senhor dos Anéis” ou de um cenário obscuro de “Game of Thrones”. Em meio a esse ambiente, temos cenas de ação e combates frenéticos que ficam ainda melhores quando Arthur começar a tomar jeito com a Excalibur. A trilha sonora complementa o ambiente, com músicas mesmo que contendo um teor medieval, ainda mistura uma batida mais agitada e contemporânea principalmente para esses momentos de ação envolvendo o espectador naquele universo.

 Considerações

Guy Ritchie consegue fazer de Arthur – A Lenda da Espada um ótimo filme de fantasia, contando a origem do famoso rei, com um enredo simples, de forma divertida e que funciona muito bem. Com efeitos visuais, fotografia e trilhas bem executadas, o longa se mostra um incrível blockbuster honestíssimo da jornada do herói que vai de um zé ninguém a realeza.

Agora é esperar que o filme vá bem na bilheteria para que Ritchie possa continuar com a lenda trazendo oficialmente Os Cavaleiros da Távola Redonda.

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